Começa disputa pelo tesouro da ilha Robinson Crusoé |
"Simplemente o deixaremos ali", ameaçou o advogado Fernando Uribe-Etxeverría, diretor da empresa Wagner que, no sábado, anunciou a descoberta do cobiçado tesouro, que conteria 800 toneladas de ouro e jóias, entre elas dois anéis papais e uma jóia mística conhecida como "A Rosa dos Ventos".
Para desenterrá-lo, a empresa impôs como condição o favorecimento dos 600 moradores do arquipélago de Juan Fernández --uma de suas três ilhas é a Robinson Crusoé-- e de outras três organizações beneficentes.
As condições da empresa foram anunciadas em meio a uma forte polêmica criada em torno da propriedade do tesouro, que segundo a lenda teria sido enterrado por piratas no início do século 18, apesar de a descoberta ainda não ter sido confirmada.
A disputa confronta as autoridades e a empresa que supostamente localizou o tesouro, que inicialmente estabeleceu que a fortuna deveria ser dividida em partes iguais entre seus descobridores e o fisco.
Mas as autoridades lembraram que a ilha Robinson Crusoé é um monumento nacional e o que ali se encontra deveria ficar totalmente nas mãos do Estado, que finalmente decidiria o futuro da fortuna, avaliada em US$ 10 bilhões de dólares.
A empresa Wagner teria localizado o tesouro graças a um robô capaz de detectar metais e determinar sua composição química, antes usado com sucesso para localizar um arsenal em uma polêmica colônia agrícola alemã e encontrar o corpo de um empresário assassinado.
Os mais céticos duvidam da descoberta e dizem que sua eventual localização seria uma estratégia publicitária da empresa para promover comercialmente o pequeno robô detector.
O tesouro, segundo a versão, estaria enterrado nos arredores do setor denominado "Tres Puntas", na Ilha Robinson Crusoé, com 94,6 km2. de superfície, localizada a 700 km da costa central do Chile.
A ilha, cujos moradores vivem principalmente da pesca da lagosta, foi batizada em homenagem ao personagem do romance de Daniel Defoe sobre o naufrágio e as aventuras do marinheiro escocês Alejandro Selkirk.
Segundo a lenda, o tesouro foi levado até a costa chilena por corsários que cruzaram o Pacífico, e em seguida o navegador espanhol Juan Esteban Ubilla y Echeverría o escondeu na ilha em 1715. As jóias e moedas de ouro teriam sido desenterradas e escondidas em outra parte da ilha pelo marinheiro inglês Cornelius Webb, sem que até agora ninguém tenha desvendado o mistério.
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